São Paulo - de 2010.


Alguns dhāraṇa´s do Vijñāna-bhairava-tantra

Breve nota: na tradição de conhecimento śivaíta conhecida como Trika, na qual a obra Vijñāna-bhairava-tantra possui grande importância, há especial ênfase na aquisição do conhecimento cosmológico e metafísico, que deve ser conquistado tanto do ponto de vista conceitual, como experimental. Adquirir informações do ponto de vista conceitual é um dos passos a ser dado, que deve sempre ser equiparado pela vivência dos conteúdos elaborados nesse sistema, como numa caminhada - onde os dois pés devem andar lado a lado.
Muitas são as práticas adotadas para a experimentação das realidades elaboradas por essa tradição, que vê a totalidade cósmica, em toda sua materialidade e fenômeno, chamada de Śakti, como um reflexo da consciência luminosa denominada como Śiva. E em última instância, ambos são a mesma realidade essencial.
Experimentar e conhecer essa realidade são duas atividades que devem aflorar completamente unidas. E para isso servem as práticas meditativas. Cada um dos dhāraṇa´s , do total de 112 presentes nessa obra, envolve, sob vários ângulos, a realidade de que Śiva e Śakti são a essência do cosmo. E o ser humano deve-se experimentar o intercâmbio entre essas duas forças, visto que é também um ser cósmico. Os dhāraṇa´s são práticas de concentração - em imagens, sons, sensações, conceitos, etc. - a serem utilizados não como fonte de informação, mas como base para meditações, que podem ser muitas vezes extensas.

123 [Dh. 98]

A purificação ensinada pelos que possuem conhecimento limitado, no sistema de Śambhu (Śiva), não há pureza nem impureza. Aquele que está livre desse padrão alcança a felicidade.

135 [Dh. 110]

A mim, não há prisão ou libertação. Isto é um objeto de temor dos viventes. Este mundo é uma imagem refletida sobre a consciência, feito a imagem do Sol nas ondulações da água.

106 [Dh. 82]

As pessoas comuns possuem igual percepção do apreendido e do que apreende. Já os adeptos do Yoga possuem algo diferenciado, sua atenção está presente no intermédio.

85 [Dh. 62]

A totalidade do espaço celeste deve ser absorvida dentro da cabeça por meio da potência de Bhairava. Dessa forma, é possível alcançar toda a essência radiante da forma de Bhairava.

92 [Dh. 69]

Deve-se meditar no próprio Eu sob a forma do espaço celeste, ilimitado em todas as direções. Com isso, a potência da consciência torna-se independente, e revela sua real natureza.

123 [Dh. 98]
kiñcij jñāir yā smṛtā śuddhiḥ sā śuddhiḥ śambhudarśane |
na śucir hy aśucis tasmān nirvikalpaḥ sukhī bhavet ||


135 [Dh. 110]
na me bandho na me mokṣo jīvasyaitā vibhīṣikāḥ |
pratibimbam idaṁ buddher jaleṣviva vivavastaḥ ||


106 [Dh. 82]
grāhyagrāhakasaṁvittiḥ sāmānyā sarvadehinām |
yoginām tu viśeṣo ‘sti saṁbandhe sāvadhānatā ||


85 [Dh. 62]
līnaṁ mūrdhni viyatsarvaṁ bhairavatvena bhāvayet |
tat sarvaṁ bhairavākāratejastattvaṁ samāviśet ||


92 [Dh. 69]
vyomākāraṁ svam ātmānaṁ dhyāyed digbhir anāvṛtam |
nirāśrayā citiḥ śaktiḥ svarūpaṁ darśayet tadā ||