São Paulo - de 2010.


Amṛtabindūpaniṣad
- Iniciação na Semente da Eternidade

Om
A mente, explicam, é biforme: ou é pura ou então é impura;
ditada por desejos é a impura; livre dos desejos é a pura. (1)
Ensinam que a mente é instrumento de prisão ou de libertação;
a submissa aos objetos aprisiona, a insubmissa liberta. (2)
Sendo a libertação favorecida pela mente insubmissa aos objetos,
insubmissa aos objetos deve ser a mente do aspirante à libertação. (3)
Isenta do jugo dos objetos, a mente é refreada no coração
e então atinge o estado não mental, que é a esfera suprema. (4)
Deve mesmo ser refreada de modo a ser dissipada no coração;
é isso a gnose e a libertação e todo o resto é noção livresca. (5)
Não é concebível nem inconcebível, é inconcebível e concebível;
o absoluto, então realizado, não é apreendido por parcializações. (6)
O método é principiar com o som e realizar o não-som a seguir,
pois o ser, não o não-ser, é obtido por meio do estado de não-som. (7)
O absoluto é indiviso, inabalado, inemotivo; “eu sou o absoluto”,
aquele que tiver ciência disso assimila o absoluto para sempre. (8)
Inabalado e infinito, alheio a condicionamentos ou a analogias,
incomensurável e sem início; quando se conhece o júbilo maior, (9)
não há morte nem nascimento, não há veneração nem autoridade,
não há anseio de libertar-se nem libertação – apenas o fim supremo. (10)
O si-mesmo deve ser sentido como um só, na vigília, sonho ou sono;
ao ultrapassar os três estados não se contrai nascimento novamente. (11)
Mesmo sendo uno, o si-mesmo coexiste neste ou naquele ser;
é visto como único e múltiplo, tal como a lua se revela na água. (12)
Como o éter contido em um vaso, quando o vaso se quebra,
o vaso desaparece, mas não o éter: a vida é como o vaso. (13)
Formas diversas são arruinadas de tempos em tempos;
ele desconhece o perecimento mas ela sempre conhece. (14)
Se há constructos da linguagem, ele habita no lótus do coração;
mas, uma vez rompidas as trevas, é descoberta a unidade única. (15)
A sílaba-eterna, na linguagem, é o absoluto: ela passa e o eterno fica;
que o sábio medite na sílaba-eterna se deseja paz para o si-mesmo. (16)
Dois saberes a serem sabidos: o absoluto da linguagem e o supremo;
o versado no absoluto da linguagem chega ao supremo absoluto. (17)
Depois de aplicar-se às escrituras dedicadas a todos os saberes,
deve o estudante deixá-las, como joga o farelo quem deseja o grão. (18)
Mesmo vacas de cores diferentes produzem leite de uma única cor;
a gnose é parecida com o leite e os vários sistemas, com as vacas. (19)
Como a manteiga se oculta no leite, em cada ser, a gnose habita;
deve-se produzir manteiga com a mente, ao modo de uma colher. (20)
Aderindo à conduta da gnose, aviva-se a vasta chama condutora;
“eu sou o absoluto, integral, impoluto e pacífico”, assim é ensinado. (21)
“Eu sou Vāsudeva, a morada de todos os seres
que mora em todos seres por todas as graças.” (22)


oṁ
mano hi dvividhaṁ proktaṁ śuddham cāśuddham eva ca |
aśuddhaṁ kāmasamkalpaṁ śuddhaṁ kāmavivarjitam ||1||
mana eva manuṣyāṇāṁ kāraṇaṁ bandhamokṣayoḥ |
bandhāya viṣayāsaktaṁ muktyai nirviṣayaṁ smṛtam ||2||
yato nirviṣayasyāsya manaso muktir iṣyate |
tasmān nirviṣayaṁ nityaṁ manaḥ kāryaṁ mumukṣuṇā ||3||
nirastaviṣayāsamgaṁ samniruddham mano hṛdi |
yadā yāty unmanībhāvaṁ tadā tat paramaṁ padam ||4||
tāvad eva niroddhavyaṁ yāvaddhṛdi gatam kṣayam |
etaj jnānaṁ ca mokṣam ca ato 'nyo granthavistaraḥ ||5||
naiva cintyam na cācintyam acintyam cintyam eva ca |
pakṣapātavinirmuktaṁ brahma sampadyate tadā ||6||
svareṇa samdhayed yogam asvaraṁ bhāvayet param |
asvareṇa hi bhāvena bhāvo nābhāva iṣyate ||7||
tad eva niṣkalaṁ brahma nirvikalpaṁ niranjanam |
tad brahmāham iti jnātvā brahma sampadyate dhruvam ||8||
nirvikalpam anantaṁ ca hetudrṣṭāntavarjitam |
aprameyam anādyaṁ ca jnātvā ca paramaṁ śivam ||9||
na nirodho na cotpattir na vandyo na ca śāsanam |
na mumukṣā na muktiś ca ity eśā paramārthatā ||10||
eka evātmā mantavyo jāgratsvapnasuṣuptiṣu |
sthānatrayād vyatītasya punarjanma na vidyate ||11||
eka eva hi bhūtātmā bhūte bhūte vyavasthitaḥ ||
ekadhā bahudhā caiva dṛśyate jalacandravat ||12||
ghaṭasaṁbhṛtam ākāśaṁ līyamāne ghaṭe yathā |
ghaṭo līyeta nākāśaṁ tadvaj jīvo ghaṭopamaḥ ||13||
ghaṭavad vividhākāraṁ bhidyamānaṁ punaḥ punaḥ |
tadbhagnaṁ na ca jānāti sa jānāti ca nityaśaḥ ||14||
śabdamāyāvṛto yāvat tāvat tiṣṭhati puṣkare |
bhinne tamasi caikatvam ekam evānupaśyati ||15||
śabdākṭaraṁ paraṁ brahma yasmin kṣīṇe yad akṣaram |
tad vidvān akṣaraṁ dhyāyed yadīcchecchāntim ātmanaḥ ||16||
dve vidye veditavye tu śabdabrahma paraṁ ca yat |
śabdabrahmaṇi niṣṇātaḥ paraṁ brahmādhigacchati ||17||
grantham abhyasya medhāvī jñānavijñānatattvataḥ |
palālam iva dhānyārthī tyajed grantham aśeṣataḥ ||18||
gavām anekavarṇānāṁ kṣīrasyāpy ekavarṇatā |
kṣīravat paśyate jñānaṁ liñginas tu gavāṁ yathā ||19||
ghṛtam iva payasi nigṁūḍhaṁ bhūte bhūte ca vasati vijñānam |
satataṁ manthayitavyaṁ manasā manthānabhūtena ||20||
jñānanetraṁ samādāya cared vahnim ataḥ param |
niṣkalaṁ nirmalaṁ śāntaṁ tad brahmāham iti smṛtam ||21||
sarvabhūtādhivāsaṁ ca yad bhūteṣu vasaty adhi |
sarvānugrāhakatvena tad asmy ahaṁ vāsudeva iti ||22||