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É possível sistematizar de forma simples e objetiva a pronúncia do sânscrito seguindo o esquema das gramáticas tradicionais da Índia antiga, que organizaram o modo de produção dos fonemas de acordo com o local para onde a língua se projeta dentro da boca. Confira a tabela a seguir:

As linhas indicam grupos de sons produzidos de forma semelhante, sendo que seus nomes já indicam objetivamente as categorias a que pertencem. A parte de trás da língua projeta-se em direção ao véu palatal nas consoantes velares. A parte do meio da língua projeta-se em direção ao palato nas consoantes palatais. A ponta da língua projeta-se em direção ao alto (cacúmen) nas cacuminais. A língua projeta-se em direção aos dentes nas dentais. E, por fim, há um encontro dos lábios ou dos dentes superiores com os lábios inferiores nas labiais.
Quanto às colunas, deve-se observar que a segunda e a quarta reproduzem a primeira e a terceira, acrescentando o "h". São as consoantes aspiradas, para pronunciá-las, deve-se produzir o som de um "h" (aspiração) entre a consoante e a vogal, como no nome próprio Eckhart, ou em "red hat" (inglês) e assim por diante.
Os valores dados a algumas letras são diferentes daqueles que a língua portuguesa lhes atribui:

Dessa forma, na transcrição do sânscrito, as letras representam apenas um único
som, não havendo, portanto, a variação que, por exemplo, a letra "g" tem
em português (gato, gelo).
Deve-se ter especial atenção com as letras pintadas, que representam, em português, sons distintos daqueles utilizados para transcrever o sânscrito.
"g" tem sempre o som de "ga", "gue", etc.
"c" tem o som de "tchau".
"j" tem som próximo ao que tem no inglês, como em "Jack", "John".
As cacuminais (que sempre são representadas com um ponto abaixo) não têm correspondência com sons com os quais os falantes de português estão acostumados. Elas devem ser pronunciadas de modo semelhante como, no inglês, se pronuncia "true", "drum", projetando-se a ponta da língua a uma distância de cerca de dos dedos acima dos dentes incisivos superiores.
As restantes (t, d, p, b) são pronunciadas de modo equivalente ao seu uso em português.
A quinta coluna marca as nasais, isto é, sons produzidos com o ar passando pelas narinas (além da boca, é claro). As duas primeiras (ṅ, ñ) ocorrem sempre em conjunto com outra consoante de sua categoria, como em vedaṅga e patañjali. Por essa, razão, mesmo sem sabermos, nós as pronunciamos naturalemente devido ao que se chama, em fonologia, de assimilação (as nasais assimilam características das consoantes que as sucedem). A cacuminal "ṇ", também chamada de retroflexa (e de cerebral), deve ser pronunciada com a projeção da ponta da língua a uma distância de cerca de dos dedos acima dos dentes incisivos superiores, algo parecido como no inglês none. As nasais "n" e "m" não apresentam diferenças da forma como são utilizadas na língua portuguesa.
A sexta coluna marca as semi-vogais, ou semi-consoantes. Deve-se pronunciar "y" exatamente como estamos acostumados, p. ex.: yoga. A semi-vogal "r" tem som similar ao que se faz no português quando ocorre entre duas vogais, p.ex.: para. A semi-vogal "l" também apresenta som semelhante ao do português, "lama". A semi-vogal "v" é pronunciada da mesma forma como se pronuncia essa letra na língua portuguesa, p.ex.: "ovo". Quanto a esse fonema do sânscrito, pode-se pronunciá-lo também com a projeção do lábio inferior em direção aos dentes superiores, produzindo um som intermediário ao "u" e o"v", como na forma de tratamento "svāmin" (swami).
As sibilantes "ś" e "s" , na sétima coluna, seguem os modelos. "ś" = chá e "s" = "massa", lembrando que "s" sempre terá o som do nosso duplo "s", mesmo que venha entre duas vogais, como em "āsana" (ássana). A cacuminal "ṣ" é pronunciada segundo sua categoria, como se fosse o som "ch" com a ponta da língua projetada a uma distância de cerca de dos dedos acima dos dentes incisivos superiores, parecido com no inglês "shun".
A aspirada "h", que está agrupada na tabela junto das sibilantes, tem o som suave como no inglês "home".