O centro do universo (Meru) no mundo e no corpo

(Material de apoio para o Curso livre de formação em Filosofia do Yoga, do IPS e do curso O Corpo Tântrico)
Meru é o nome de uma montanha. É o nome dado uma montanha que segundo a cartografia indiana antiga, de caráter mitológico, está situada no cento do universo. Por extensão, os textos de Haṭha-yoga, tratam Meru como o eixo do corpo humano. O entendimento dos significados atribuídos ao Meru pela cultura indiana pode ser ampliado pelo conceito de axis mundi, “eixo do mundo”, que se trata de uma generalização dessa ideia de centralidade do universo, observável nas mitologias de várias civilizações. Cada um dos trechos a seguir lida com um aspecto da realidade: 1) a relação entre 7 ilhas e o Meru geográfico; e 2) os 7 cakras e o Meru do corpo humano:

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īśvara uvāca || dehe’smin vartate meruḥ saptadvīpasamanvitaḥ | saritaḥ sāgarās tatra kṣetrāṇi kṣetrapālakāḥ ||1|| ṛṣayo munayaḥ sarve nakṣatrāṇi grahās tathā | puṇyatīrthāṇi pīṭhāni vartante pīṭhadevatā ||2|| sṛṣṭisaṁhārakartārau bhramantau śaśibhāskarau | nabho vāyuś ca vahniś ca jalaṁ pṛthvī tathaiva ca ||3|| trailokye yāni bhūtāni tāni sarvāni dehataḥ | meruṁ saṁveṣṭya sarvatra vyavahāraḥ pravartate ||4|| jānāti yaḥ sarvam idaṁ sa yogī nātra saṁśayaḥ ||5|| Śivasaṁhitā 2.1-5

 

O soberano disse:

Neste corpo, existe um Meru ligado a sete ilhas. Há também os rios, os oceanos, os territórios e os guardiães dos territórios.(1) Há os inspirados, os sábios, assim como todas as constelações e astros. E também as rotas auspiciosas, os santuários e os deuses dos santuários.(2) O Sol e a Lua, movendo-se como agentes da criação e da destruição. O espaço, o vento, também o fogo, a água e a terra.(3) Os seres que estão nos três mundos, todos eles estão da mesma forma no corpo. E as atividades ocorrem em toda parte, circundando o Meru.(4). Quem conhece tudo isso é sem dúvida alguma um yogin.

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mārkaṇḍeya uvāca || śatārdhakoṭivistārā pṛthivī kṛtsnaśo dvija | tasyāḥ saṁsthānam akhilaṁ kathayāmi śṛṇuṣva tat ||4|| ye te dvīpā mayā proktā jambudvīpādayo dvija | puṣkarāntā mahābhāga śṛṇveṣāṁ vistaraṁ punaḥ ||5|| dvīpāt tu dviguṇo dvīpo jambuḥ plakṣo ‘tha śālmaliḥ | kuśaḥ krauñcas tathā śākaḥ puṣkaradvīpa eva ca ||6|| lavaṇekṣusurāsarpirdadhi-kṣīrajalābdhibhiḥ | dviguṇair dviguṇair vṛddhyā sarvataḥ pariveṣṭhitāḥ ||7|| jambudvīpasya saṁsthānaṁ pravakṣye ‘haṁ nibodha me | lakṣam ekaṁ yojanānāṁ vṛtto vistāradairghyataḥ ||8|| himavān hemakūṭaś ca niṣadho merur eva ca | nīlaḥ śvetas tathā śṛṅgī sapta tadvarṣaparvatā ||9|| Mārkaṇḍeyapurāṇam ||

Mārkaṇḍeya disse:

A Terra possui tamanho, por todos os lados, de cinquenta milhões (de yojana), ó consagrado. Ouve o que relato sobre sua completa constituição.(4) As ilhas por mim referidas têm a ilha Jambu no início e a Puṣkara ao final, ó afortunado, escuta agora o tamanho delas.(5) Uma ilha é o dobro da anterior: Jambu, Plakṣa, Śālmali, Kuśa, Krauñca, Śāka e a ilha Puṣkara.(6) Elas são envolvidas, por todos os lados, pelos oceanos de água salgada, caldo de cana, licor, manteiga clarificada, leite coalhado, leite e água, cada um o dobro do outro.(7) Explicarei agora a constituição da ilha Jambu. Presta atenção em mim: sua forma é redonda, com cem mil yojana na largura e na extensão.(8) Himavāt, Hemakūṭa, Niṣadha, Meru, Nīla, Śveta e Śṛṅgī são as sete montanhas fronteiriças.

 

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